Penetração Profunda


Começo a penetrar ,
lentamente,
doloridamente,
profundamente dentro de mim.
Na escuridão ouço o ruído seco,
o som arrítimico do meu coração.
É tudo tão negro...
Minha mente deturpada.
Meus valores perdidos.
Eu tão cheia de máculas,
com nódoas perenes,
cicatrizes eternas de tanta dor.
Cada gota de sangue
já sem o gosto de sal.
O suor não faz o pão.
As mãos não colhem o trigo.
É a podridão fétida da merda interior
da deterioração do meu ser.
Ao menos resta a esperança,
que se há alguma semente boa em mim,
ela consiga fecundar por entre minhas ruínas,
e nascer do ventre da minha alma
numa manhã dourada
aversa aos tempos anteriores,
e assim me eternizar perante meus sonhos.
Reconstruir os ideais,
recuperar os valores.
Redescobrir a verdadeira essência da vida,
o néctar sublime nascendo dos restos.
A fênix da podridão humana.


...volta ao Caos