Sempre me imagino...


Sempre me imagino caminhando
em uma praia deserta,
de areias muito brancas,
mar muito azul.
Uma praia infinita,
assim como é infinito o azul do céu.
A brisa morna de maresia lambe meu rosto
e a água fria toca meus pés.
Não há nada.
Nem música.
Nem ninguém.
Estou completamente só.
Em meu peito sinto a essência do que é vazio,
uma enorme cratera sem fundo,
um abismo negro.
E tudo isso me parece tão natural...
tão simples como querer pouco da vida,
como querer simplesmente sentir.
Olhar e ver apenas o que se está vendo,
poder tocar e sentir sempre,
sentir tudo,
sentir mais.
Na pele o suor dos apaixonados,
nos olhos a luz do ideal,
e a cabeça com um emaranhado
tão grande de idéias
que não se entende o começo,
nem se sabe o fim.
A solidão me dá a paz que não preciso.
A paz do inerte.
A paz do nada.
Quero a paz da brasa,
ardendo e consumindo,
o silêncio brando da respiração ofegante.
Olhos em meus olhos...
corpo em meu corpo...
e a paz que não existe dentro da paixão.
Mas continuo andando,
meu caminho eterno de solidão ,
vivendo uma vida pouca e vazia
que nem entendo porque.
Não preciso continuar,
porém continuo.
Meu destino.
Meus passos.
Só.



...volta ao Caos