Basto-me...


Basto-me na minha inutilidade.
Basto-me na minha tristeza.
Basto-me na minha solidão.
Inúteis noites de angústia,
em que me debatia às cegas
procurando algum sentido.
Inúteis lágrimas salgadas,
pranto sofrido,
choro rasgado.
Chorava por nada,
chorava por mim.
Não te achei nas madrugadas frias,
nem nos dias mornos,
nem em sonhos distantes,
nem em lembranças remotas.
Nem passado.
Nem futuro.
Estava só enfim.
Não houve vento que te trouxesse
não houve força pra te deixar perto de mim.
O amor não era importante.
Era apenas essencial.
O vazio é simples,
é o que reatou do que sonhei.
Basto-me a mim.
Basto-me a ser só.


...volta ao Caos