Cenas Urbanas


Ao despertar sons de buzina,
e vejo o sol nascer quadrado
entre a esquadria da minha janela.
Formas concretas.
Fumaça no ar.
No meu rádio alguém canta
uma coisa que eu não consigo entender.
A vida parece um labirinto
e eu não quero me perder.
No sol do meio-dia
o concreto sua sangue,
o olhar foge do rosto das pessoas,
se ouve a fome nas bocas...
luto em vão com a frigideira
e como alguma coisa
para poder sobreviver.
Frio na espinha,
noites de medo.
Ouço passos na cozinha,
me tranco dentro de mim.
É a neurose
e na TV roda um filme que eu já vi.
Solidão,
madrugadas insones.
Durante o pouco sono,
sons de buzina,
formas concretas,
fumaça no ar.


...volta ao Caos