Todos são felizes...


Todos são felizes.
Todos podem sorrir.
Eu não consigo mais.
Uma névoa cinza invadiu meus olhos.
Aprisionei-me num mundo de sombras,
cárcere da minha dor.
Houve um tempo que não era...
eu ainda não me pertencia.
Havia dias de sol,
de uma luz muito intensa,
um brilho indizível.
Eu pertencia à vida,
eu vivia a paixão.
Era algo que eu não sabia explicar,
alguma coisa assim como um vulcão
que explodia em meu corpo,
intenso e efêmero como o fogo.
Por breves instantes consegui sorrir
o riso louco de quem tenta ser feliz.
E foi só ,
O destino passou por mim,
assim como quem não quer nada,
como um vento que passa devagar
e perdi a chave da minha alma.
O que passou se foi
junto com meus olhos.
O que tenho hoje
é o que terei amanhã,
o que terei sempre :
uma ferida aberta em meu peito,
olhos úmidos de lágrimas
e nenhuma razão para chorar.


...volta ao Caos