Riam de mim...


Riam de mim,
companheiros de vida terrena,
pois sou um ser inferior.
Tenho pequenos sonhos,
poucos e simples,
que não tenho perspectiva de realizar.
Porém o que há de mais interessante
na minha vida minguante
e a angústia de caminhar
ao lado de uma sombra negra
guiando meu fim
e o medo de não conseguir ser feliz.
Por conta desse medo
vou parindo versos tristes
em noites escuras e solitárias.
Aborto as alegrias
antes que floresçam.
Não me permito sorrir.
Não tenho lugar.
Não consigo amar.
O que quero é tão pouco,
tão comum...
ninguém conhece minha dor,
o fardo pesado de pertencer a mim mesma,
de fechar os olhos e não ter sonho.
Vivo entre minhas ironias,
o meu corpo deseja.
Canto o que mais abomino,
dia após dia,
com a única certeza
de ser sempre só.


...volta ao Caos