Não tenho saudade...


Não tenho saudade do que fui.
Fui na verdade tão pouco nesta vida.
Era como pés que caminham sem caminho,
numa estrada infinitamente longa,
eternamente igual.
A poesia se abrigou em minhas mãos.
Nela eu escondia eus medos,
revelava meus segredos,
brincando de palavras.
Sentia o que não vivia.
Olhava o que não via.
Protegia-me em seu manto
e percebi seu breu,
uma tênue linha que separa
o sonho e o concreto.
Será que ainda é tempo de viver ?
Se eu vivesse aquilo que sonho
haveria luz,
haveria música,
não haveria solidão
Meu sonho é uma nuvem.
Sou tão pouco,
e tenho tanto medo...
Não sou nada.



...volta ao Caos