
"Que sou eu senão a própria vida ?
Brincamos as duas pelas linhas das minhas mãos,
ironizando as dores,
chorando alegrias,
cada dia aprendendo a morrer.
Pensei, certa vez,
que poderia viver metades,
deixar a velocidade das horas
levar meus sonhos inúteis.
Viajei delirante por mundos irreais.
Eu não precisava sentir,
eu vivia e só !
Meu sorriso angustiado bailava por bocas estranhas,
meu corpo era o templo de orações profanas.
E a paz que eu tanto buscava clareava num relâmpago
em algum lugar distante do meu horizonte.
Adormecia meu corpo cansado
aquecendo-me em lágrimas brancas.
Que importa se hoje estou só ?
Quem me acompanhará quando daqui eu partir ?
Para quem deixarei meu último olhar ?
Quem cerrará meu olhos e depositará
em meus lábios um beijo de adeus ?
Não terei preces clementes,
nem proporcionarei choros convulsos.
Apenas levarei a lembrança daquilo que nunca consegui ser."
Cláudia Marczak
E-mail: marczak@microgroup.com.br
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