Acabei de voltar de uma festa de aniv. de 25 anos c/ balões de gás, tias, primos, comidaiada, uma coisa super tranquila e bem à vontade. Dai que achei sua mensagem de "O ANJO EXTERMINADOR", vendo a foto e olhando bem a cara e os sorrisos malignos das pessoas envolvidas, subiu um arrepio frio e profundo pela minha nuca. Te ajudo c/ todo o prazer do mundo nessa exorção e o tema ainda me interessa muito ainda mais quando posso ter a certeza de ter sido parte de uma história não vivida por mim, mas sim por um outro de mim.
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Ninguém mais conhece aquelas caras de antes de ontem, viraram personagens de ficção do passado. Os únicos capazes de decifrar aqueles sorrisos são somente os próprios envolvidos. Eu acho aquela foto totalmente emblemática.
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Qdo te escrevi sobre as minhas impressões ao ver a foto dos "jovens metálicos c/ sorrisos diabólicos" na Fradique, não foi propriamente desagradável, mas sim com um sabor parecido que a gente sentia ao ler um conto excitante de E. A. Poe. O terror e o gozo. Um arrepio gelado que sobe pela espinha e bate na nuca. É o peso do passado. Naquela noite, qdo me deparei c/ a foto, tinha acabado de voltar de uma festa de aniversário muito calma e familiar. 25 anos completos entre tias, primos, doces, refrigerantes, bolas, sanduiches... Arthur, o aniversariante, um ex-atormentado chegou aos seus 25 anos em paz. Comecei então a refletir e a repensar nossas vidas, minha vida, sei lá. Reconheci as novas cores desse meu mar de tranquilidade de agora. Senti-me satisfeito e contente. Vendo a Fradique, senti saudade daquele purgatório existencial juvenil q criamos p/ poder sentir algum orgulho um dia na vida. O inferno era a sala. Pensei q nÓs 2 podiamos reunir várias cartas de vários de nós daquela época, sem precisão cronológica, assim fica parecendo mais argumento e personagens do q jovens almas penadas. Entende? Uma carta da Neca, outra da Bia, da Karen...da Danni em Ohio-90, outras fotos antigas, bilhetes escritos em guardanapos, os desenhos, relatos de tragédias pessoais, depoimentos das brigas, traições por ciúmes, inveja, amor, ódio entre iguais, desejo, repressão, o citacionismo da época, o Coiote, Reich, São Thome, AFS... O alívio do presente. Poder olhar p/ trás e poder ver toda a graça do q não foi engraçado um dia. Uns se machucam antes, outros logo depois. A recuperação já acontece de um jeito diferente. Estou com trechos em vídeo, da única entrevista concedida à tv, de Clarice Lispector. 1977- TV Cultura. Aquele sotaque magnífico, aqueles jatos de inconsciente me fazem lembrar da Fradique. Muita coisa grande, poderosa, perdida e absurda me faz lembrar daquela sala das vaidades. Laboratório de idéias, experimentações e doideira. Frase corrente entre os que se auto-denominavam "os sobreviventes" - ou "a peneirada": "O FIM DA FRADIQUE FOI MAIS POP DO QUE A SEPARAÇAO DOS BEATLES".
SALVE FACTORY! SALVE O CITACIONISMO! HALLELLUJAH!
amor,
Marcio Harum.